A citação mundial dos psicodélicos

Imagem da apresentação de Psychedelic Science 2017
Psychedelic Science 2017
Psychedelic Science 2017 foi um evento crucial para aqueles que, após assistir aos últimos avanços científicos na área de substâncias psicodélicas, desejam entender a situação atual. O evento, que condensou em três dias as palestras de seus conferencistas, também busca analisar os desafios que a área enfrenta para o futuro.
Psychedelic Science 2017 ocorreu em abril passado, entre os dias 19 e 24, em Oakland, Califórnia. É a terceira vez que esse encontro acontece, após os eventos de 2010 e 2013. Neste ano de 2017, a reunião contou com três dias completos de palestras, acompanhados por um mercado e outras atividades recreativas, expandindo a duração do evento para seis dias.
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Os organizadores
A organização deste evento esteve a cargo da MAPS (Multidisciplinary Association for Psychedelic Studies) em parceria com a The Beckley Foundation. A primeira é uma organização educacional sem fins lucrativos, fundada por Rick Doblin há mais de trinta anos. A MAPS se dedica, como afirma em seu site, a "desenvolver contextos médicos, legais e culturais para que as pessoas possam se beneficiar dos usos prudentes de psicodélicos e da maconha".
Por sua vez, a Beckley Foundation é uma ONG, com sede no Reino Unido, dirigida por Amanda Fielding, cujo propósito é "desenvolver pesquisa pioneira em psicodélicos e conduzir reformas na política de drogas baseadas em evidências".

Imagem da apresentação de Psychedelic Science 2017. Participação total: mais de 2800 pessoas
A apresentação
Na abertura dessas conferências, assistimos a uma declaração de intenções dos representantes das organizações mencionadas acima. Assim, Amanda Fielding, cuja apresentação ocorreu após a palestra de Rick Doblin, contextualizava a necessidade de um evento de tal grandeza da seguinte forma: "Talvez estejamos entrando em um novo estágio, onde a sociedade está gradualmente percebendo os potenciais benefícios desses compostos (psicodélicos) e seu valor no tratamento de condições psicológicas tratáveis... como a depressão, a ansiedade e as adições". E acrescentava, "ocasiões como esta, hoje aqui, são oportunidades para aumentar nossa conectividade e encontrar novos caminhos para avançar, a fim de quebrar o tabu e regular melhor os psicodélicos para minimizar danos e otimizar benefícios".

Imagem da apresentação de Rick Doblin, em Psychedelic Science 2017
E é que, nos últimos anos, a ciência tem dado uma lição à sociedade. As pesquisas sobre psicodélicos que têm sido publicadas nas últimas décadas evidenciam a inutilidade dos preconceitos socialmente arraigados. Como comentou Rick Doblin em sua apresentação, muitos psicodélicos podem ser a solução para alguns dos grandes problemas de saúde da sociedade.
O fundador da MAPS estabeleceu uma relação direta entre alguns psicodélicos e doenças que, segundo evidências científicas, podem ser superadas ou cuja melhora pode ser proporcionada aos pacientes:
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Depressão: Ayahuasca, psilocibina e cetamina.
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Transtorno de estresse pós-traumático (TEPT): MDMA e ayahuasca.
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Transtorno obsessivo-compulsivo (TOC): Psilocibina.
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Abuso de substâncias: Ibogaina, ayahuasca, psilocibina e MDMA.
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Ansiedade social: MDMA.
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Angústia diante da morte: psilocibina, MDMA e LSD.
Rick Doblin enfatizou os resultados positivos obtidos em tratamentos de psicoterapia assistida combinados com MDMA sobre o TEPT em veteranos de guerra, como exemplo de terapias alternativas que podem ser a solução ou alívio de condições psicológicas difíceis de tratar.

Imagem da apresentação de Rick Doblin explicando os tratamentos combinados de psicoterapia assistida e psicodélicos, em Psychedelic Science 2017.
Os objetivos
O principal objetivo da Psychedelic Science 2017 é compartilhar conhecimentos sobre substâncias psicodélicas e criar sinergias entre os participantes para esclarecer diversos aspectos, como métodos, dosagens... além de levantar os desafios enfrentados na pesquisa científica, na política de drogas e na redução de riscos, entre outros.
O espírito do evento é um espírito aberto e dialogante, que busca acolher todas as disciplinas, outras substâncias que antes não estavam representadas aqui (como o peyote), bem como as culturas indígenas que possuem sabedoria milenar nessa área.
Como Beatrice Labate resume bem, "tentamos reivindicar o M de MAPS, torná-lo mais multidisciplinar, incorporando outras disciplinas, especialmente a antropologia" e "tentamos ser mais inclusivos, e por isso contamos com vozes indígenas".
Durante o encontro também foram tratados assuntos candentes na sociedade, como os benefícios econômicos das reformas na política de psicodélicos ou a importância da empatia e conectividade (que essas substâncias geram) para criar uma sociedade mais unida no misticismo, como a perspectiva mais adequada frente ao rígido fundamentalismo.
De qualquer forma, eventos como este são vitais para avançar em prol de uma sociedade mais saudável, não apenas fisicamente, mas, o que é mais importante, psicologicamente ou espiritualmente.
Artigo de Nina Slick
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