Como é processado o kratom

Categorias: Kratom

Coleta, secagem, fermentação e moagem

O processamento das folhas de Mitragyna speciosa após a colheita é o fator que mais determina a classificação comercial do kratom por cor da veia e o perfil alcaloídico do material resultante. Desde a coleta até a moagem final, cada etapa do processo influencia a composição fitoquímica do pó ou folha picada que chega ao mercado. Este artigo descreve cada fase do processo com o suporte bibliográfico disponível. Para o contexto etnobotânico e histórico completo da planta, consulte nosso guia completo sobre o kratom. Para a descrição detalhada do principal alcaloide, o artigo sobre o que é a mitraginina.

Mitragyna speciosa em seu habitat natural — margem do rio em floresta tropical de Bornéu

Mitragyna speciosa em seu habitat natural — margem do rio em floresta tropical de Bornéu


Coleta das folhas

As folhas de Mitragyna speciosa são colhidas manualmente em plantações ou em árvores selvagens das regiões produtoras — principalmente Kalimantan (Bornéu indonésio), Sumatra, Java e algumas áreas da Tailândia e Malásia. A coleta geralmente ocorre nas primeiras horas da manhã, quando a turgidez foliar é máxima e o conteúdo de água da folha favorece uma secagem posterior mais uniforme.

A maturidade da folha no momento da colheita é relevante para o perfil alcaloídico: folhas maduras geralmente apresentam maior concentração de mitraginina do que as jovens. As denominações comerciais "Maeng Da" e "Super" referem-se precisamente a critérios de seleção da folha — folhas maduras selecionadas e folhas da posição superior da árvore, respectivamente — embora não correspondam a espécies ou variedades botânicas distintas (Shellard, E.J. et al., 1978. Planta Medica, 34(3), 253–263).

Seleção manual de folhas maduras de Mitragyna speciosa em plantação

Seleção manual de folhas maduras de Mitragyna speciosa em plantação


Secagem — a fase determinante da cor da veia

A secagem é a etapa que mais diretamente determina a classificação comercial do material pela cor da veia. As variações no método, na duração e nas condições de secagem produzem diferenças documentadas no perfil alcaloídico do material resultante, particularmente na proporção relativa entre mitraginina e outros alcaloides minoritários (Veltri, C. & Grundmann, O., 2019. Substance Abuse and Rehabilitation, 10, 23–35).

Veia vermelha — secagem prolongada ao sol: as folhas são estendidas ao sol durante um período mais longo, o que favorece a oxidação de alguns compostos e a degradação parcial da clorofila, produzindo a cor escura característica. O processo de oxidação pode modificar a proporção relativa de alcaloides em relação ao material fresco.

Veia verde — secagem mista: combinação de fases em interiores e exteriores, com menor exposição acumulada à luz e menor grau de oxidação do que a veia vermelha. Produz um material com perfil alcaloídico intermediário entre a veia branca e a vermelha.

Veia branca — secagem em interiores: as folhas são secas em condições de menor exposição à luz e com controle de temperatura e umidade. O processo mais curto e com menor oxidação produz o material de cor mais clara do catálogo padrão.

Veia amarela — processo pós-colheita diferenciado: a denominação "veia amarela" não corresponde a uma veia botânica real da folha de Mitragyna speciosa. É o resultado de um processo pós-colheita diferenciado — cura prolongada, mistura de materiais de diferentes veias ou fermentação controlada — que produz um material com características organolépticas e fitoquímicas próprias. Sua denominação é comercial, não botânica.

Folhas de Mitragyna speciosa em processo de secagem ao sol sobre estruturas de bambu — obtenção da veia vermelha

Folhas de Mitragyna speciosa em processo de secagem ao sol sobre estruturas de bambu — obtenção da veia vermelha


Fermentação — processo opcional

Alguns produtores aplicam um processo de fermentação controlada antes ou durante a secagem final. A fermentação — expor o material vegetal húmedo a condições que favorecem a atividade microbiana e enzimática durante um determinado período — modifica o perfil alcaloídico do material ao transformar alguns compostos precursores em outros. Este processo pode alterar a cor da folha para tonalidades mais escuras ou amareladas, e é uma das técnicas que resultam no material classificado como veia amarela.

A fermentação não é universal na produção de Mitragyna speciosa e depende da tradição local do produtor ou da estratégia de produto buscada. Nem todos os materiais classificados como "veia amarela" passaram por fermentação — alguns são simplesmente misturas de veias ou materiais com cura prolongada.


Moagem e formato final

Uma vez secas, as folhas são trituradas até obter o formato comercial desejado. Os dois formatos principais do catálogo da Edabea são:

Pó fino: as folhas secas são moídas até obter um pó de granulometria fina e uniforme. É o formato mais comum do catálogo, disponível em pacotes de 25 g e 100 g. A moagem fina produz um pó homogêneo com maior superfície de contato, o que favorece a extração dos alcaloides em infusão.

Folha picada (cut leaf): as folhas são trituradas sem chegar à granulometria do pó, preservando fragmentos de maior tamanho. Este formato conserva melhor a estrutura vegetal original e apresenta menor superfície exposta ao ar, o que pode retardar a oxidação durante o armazenamento. Disponível nas referências Thai Supreme e Maeng Da do catálogo da Edabea.

Pó fino e folha picada de Mitragyna speciosa — os dois formatos principais do catálogo da Edabea

Pó fino e folha picada de Mitragyna speciosa — os dois formatos principais do catálogo da Edabea


Impacto do processamento no perfil fitoquímico

O conjunto de decisões de processamento — momento da colheita, método de secagem, fermentação opcional e granulometria de moagem — determina o perfil alcaloídico final do material. Os dados do lote 22.885 do catálogo da Edabea ilustram a variabilidade entre variedades submetidas a diferentes processos: Green Maeng Da (secagem verde, folhas maduras selecionadas) registrou 1,37% de mitraginina e 1,98% de alcaloides totais; White Bali (secagem branca, Bali) registrou 1,22% de mitraginina e 1,88% totais, em análises UHPLC-DAD em laboratório ISO 17025 (ref. L440, outubro de 2025).

Essa variabilidade documentada entre lotes e variedades é a razão pela qual a Edabea submete cada novo lote a análises de laboratório antes de incorporá-lo ao catálogo, em vez de assumir que o perfil alcaloídico de uma origem ou denominação é constante entre colheitas.


Conservação do material processado

O kratom em pó e em folha picada deve ser conservado em embalagem hermética, protegido da umidade, da luz direta e do calor. O pó é especialmente suscetível à absorção de umidade ambiental, que pode alterar sua textura e favorecer o desenvolvimento microbiano. A exposição prolongada à luz UV e a altas temperaturas acelera a degradação dos alcaloides indólicos. Uma conservação adequada preserva a estabilidade do perfil alcaloídico durante o período de validade do lote.

Pó de Mitragyna speciosa em embalagem hermética com folhas secas — conservação correta do material

Pó de Mitragyna speciosa em embalagem hermética com folhas secas — conservação correta do material


Artigos relacionados do blog da Edabea


Perguntas frequentes sobre o processamento do kratom

O color da veia depende da planta ou do processamento?

Principalmente do processamento. Todas as veias comerciais — vermelha, verde, branca e amarela — vêm da mesma espécie botânica (Mitragyna speciosa). As diferenças de cor são o resultado do método de secagem, da duração do processo e, em alguns casos, da fermentação controlada aplicada após a colheita. A genética da planta tem menos influência na classificação comercial por veias do que o processo pós-colheita.

Qual a diferença entre pó e folha picada?

A diferença é de granulometria e superfície de contato. O pó fino tem maior superfície exposta, o que favorece a extração dos alcaloides em infusão, mas também a oxidação durante o armazenamento. A folha picada conserva fragmentos de maior tamanho, com menor superfície exposta ao ar e uma degradação potencialmente mais lenta durante o armazenamento. Ambos os formatos contêm os mesmos alcaloides — a diferença é de processo físico, não de composição química.

A fermentação é sempre a origem da veia amarela?

Não necessariamente. A denominação "veia amarela" agrupa materiais de origens distintas: alguns vêm de fermentação controlada, outros de cura prolongada e outros de misturas de diferentes veias. Não existe uma definição padrão da indústria para a veia amarela — é uma denominação comercial cuja elaboração varia entre produtores.

Por que varia a concentração de mitraginina entre lotes da mesma origem?

Porque a concentração de mitraginina na folha de Mitragyna speciosa depende de múltiplos fatores variáveis: a idade da folha no momento da colheita, as condições climáticas da temporada, o momento exato dentro da temporada de coleta e as variações no processo de secagem entre produtores ou entre lotes do mesmo produtor. Essa variabilidade inerente é a razão pela qual a análise de lote é o único método confiável para conhecer o perfil alcaloídico real de um material concreto.


Artigo elaborado pela equipe especializada da Edabea Natura. A informação fitoquímica está baseada nas fontes bibliográficas citadas e nos dados analíticos do lote 22.885. Última atualização: abril de 2026.


Referências bibliográficas

  • Shellard, E.J. et al. (1978). As espécies de Mitragyna da Ásia. Planta Medica, 34(3), 253–263.
  • Veltri, C. & Grundmann, O. (2019). Perspectivas atuais sobre o impacto do uso de Kratom. Substance Abuse and Rehabilitation, 10, 23–35.

Compartilhar este conteúdo