Kratom: Um guia completo
Variedades, composição, processamento e regulação:
O kratom (Mitragyna speciosa Korth. Havil.) é uma árvore tropical da família Rubiaceae originária das regiões úmidas do sudeste asiático: Tailândia, Indonésia, Malásia, Mianmar e Papua Nova Guiné. Suas folhas contêm mais de 40 alcaloides identificados, sendo a mitraginina o predominante. Este guia oferece informações sobre a taxonomia, composição química, processamento, variedades comerciais e o marco legal da espécie. Para uma descrição específica do alcaloide principal, consulte nosso artigo sobre o que é a mitraginina. Para informações sobre o cultivo a partir de sementes, veja nosso artigo sobre como cultivar kratom a partir de sementes.
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Classificação botânica
Mitragyna speciosa foi descrita por Korthals em 1839 e reclasificada em seu gênero atual por Haviland em 1897. Pertence à tribo Naucleeae dentro da família Rubiaceae. É uma árvore que pode crescer entre 4 e 16 metros em condições naturais, com folhas ovais de 15 a 20 cm e nervuração pinnada pronunciada. Cresce em solos de margens de rios e áreas florestais com alta umidade — condições que influenciam a composição alcaloide das folhas (Shellard, E.J. et al., 1978. Planta Medica, 34(3), 253â263).
Composição química — principais alcaloides
Mitraginina (C23H30N2O4): alcaloide indólico monoterpenóide predominante, representa entre 60% e 70% do conteúdo alcaloide total da folha madura. Atua como agonista parcial dos receptores opioides mu e kappa, com atividade adicional documentada sobre receptores adrenérgicos e serotoninérgicos (Matsumoto, K. et al., 2004. Life Sciences, 74(17), 2143â2155).
7-Hidroximitraginina: presente em concentrações muito baixas na folha fresca (menos de 0,01% nos lotes analisados), com afinidade pelos receptores opioides mu significativamente superior à da mitraginina.
Paynantheine e speciogynine: segundo e terceiro alcaloides mais abundantes, respectivamente. Ambos atuam como antagonistas dos receptores mu, segundo estudos in vitro.
Como referência analítica do catálogo da Edabea, o lote 22.885 (outubro de 2025, laboratório ISO 17025, ref. L440, análise UHPLC-DAD) registrou: Green Maeng Da — 1,37% mitraginina, 1,98% alcaloides totais; White Bali — 1,22% mitraginina, 1,88% alcaloides totais. Todos os parâmetros de metais pesados, microbiologia e pesticidas foram conformes.
Origem histórica e usos tradicionais documentados
O uso de Mitragyna speciosa no sudeste asiático está documentado desde o século XIX. Os usos tradicionais mais referenciados na bibliografia etnobotânica incluem a mastigação de folhas frescas por trabalhadores agrícolas tailandeses e malaios — documentado por Low em 1836 — e a preparação de infusões de folhas secas (Veltri, C. & Grundmann, O., 2019. Substance Abuse and Rehabilitation, 10, 23â35).
Na Tailândia, o uso tradicional levou à proibição legal através da Lei do Kratom de 1943, revertida parcialmente em 2021, quando a Tailândia retirou o kratom de sua lista de substâncias controladas. A Indonésia, principal produtora atual, mantém o kratom legal para exportação, embora seu consumo interno esteja sujeito a debate regulatório.
Processamento — como se obtém o material comercial
Secagem e classificação por veia
O processo de secagem pós-colheita determina a cor da veia e, em certa medida, o perfil alcaloide do material resultante. A secagem prolongada ao sol com maior oxidação produz a veia vermelha; a secagem em ambiente fechado com menor oxidação produz a veia branca; o processo intermediário, combinando fases em ambiente interno e externo, produz a veia verde. As variações no nível de oxidação produzem diferenças documentadas na proporção relativa de alcaloides (Veltri & Grundmann, 2019, op. cit.).
Veia amarela — processo pós-colheita diferenciado
A veia amarela não corresponde a uma veia botânica real de Mitragyna speciosa. É o resultado de cura prolongada, mistura de materiais ou fermentação controlada, que produz uma transformação na cor do pó e modifica a proporção relativa de alcaloides. Sua denominação é comercial, não botânica.
Formatos comerciais
Após a secagem, as folhas são trituradas até obter pó fino — o formato mais comum — ou deixadas em folha picada (cut leaf), que preserva a estrutura vegetal original. Os extratos concentrados são obtidos por extração com solvente e reaplicação sobre base vegetal, expressos em porcentagem de mitraginina ou escala X relativa.
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Variedades segundo origem geográfica
A denominação de origem refere-se à região de procedência do material vegetal. As diferenças entre origens no perfil alcaloide existem, mas são menos determinantes que o processo de secagem e estão sujeitas a variação entre lotes da mesma origem.
| Variedade | Origem | Formato habitual |
|---|---|---|
| Bali | Bali, Indonésia | Pó 25 g / 100 g |
| Maeng Da | Folhas maduras selecionadas | Pó e folha picada |
| Borneo | Kalimantan, Borneo indonésio | Pó 25 g / 100 g |
| Thai | Tailândia | Pó 25 g / 100 g |
| Sumatra | Sumatra, Indonésia | Pó 25 g / 100 g |
| Vietnã | Vietnã | Pó 25 g / 100 g |
| Jongkong | Região de Jongkong, Kalimantan | Pó 25 g / 100 g |
Consulte o catálogo completo de variedades na categoria de kratom da Edabea, organizada por veia e origem.
Classificação por cor de veia
As quatro veias comerciais correspondem a processos de secagem distintos, não a variedades botânicas diferentes. Todas pertencem à mesma espécie Mitragyna speciosa.
Veia vermelha — processo de secagem mais prolongado, maior exposição solar e oxidação.
Veia verde — processo intermediário de secagem combinando fases em ambiente interno e externo.
Veia branca — secagem em ambiente fechado com menor exposição à luz e menor oxidação.
Veia amarela — denominação comercial, não botânica. Processo pós-colheita diferenciado.
Controle analítico de qualidade
Novos lotes do catálogo da Edabea são analisados por meio de UHPLC-DAD para alcaloides, ICP-MS para metais pesados e GC-MS/MS para pesticidas (norma EN 15662), em laboratório acreditado ISO 17025 (ref. L440). Os dados do lote 22.885 estão disponíveis na categoria de kratom da Edabea.
Conservação do material
O kratom em pó deve ser armazenado em embalagem hermética, protegida da umidade, luz direta e calor. O material é suscetível à absorção de umidade ambiental. Uma conservação adequada preserva a estabilidade do perfil alcaloide durante o período de validade do lote.
Situação legal
A situação legal de Mitragyna speciosa varia segundo a jurisdição. É responsabilidade do comprador verificar a legislação aplicável em seu local de residência antes de realizar o pedido. Este produto é comercializado exclusivamente como material de coleção botânica e pesquisa etnobotânica.
Perguntas frequentes sobre o kratom
Qual é a diferença entre veia vermelha, verde, branca e amarela?
A principal diferença é o processo de secagem e cura pós-colheita, não a espécie ou a genética da planta. A veia vermelha está associada a secagens mais prolongadas com maior oxidação; a branca a secagens em ambiente interno com mínima oxidação; a verde a processos intermediários. A veia amarela não é uma veia botânica real — é o resultado de um processo pós-colheita diferenciado. As diferenças no perfil alcaloide entre veias estão documentadas, embora não sejam absolutas nem previsíveis com exatidão entre lotes de origens diferentes.
O que é o Maeng Da e em que se diferencia do kratom padrão?
Maeng Da é uma denominação que designa folhas selecionadas por sua maior maturidade e concentração alcaloide potencial. Não é uma espécie distinta ou uma variedade botânica formal — é um critério de seleção do material de colheita dentro de Mitragyna speciosa. Analogamente, "Super" refere-se a folhas colhidas da posição superior da árvore e "Horn" a folhas com morfologia foliar irregular. Nenhuma dessas denominações corresponde a uma variedade taxonômica diferente.
Vocês analisam os lotes de kratom antes de vendê-los?
Sim. Os novos lotes são analisados por meio de UHPLC-DAD para o perfil alcaloide completo, ICP-MS para metais pesados e GC-MS/MS para resíduos de pesticidas, em laboratório acreditado ISO 17025. Como referência, o lote 22.885 registrou 1,37% de mitraginina em Green Maeng Da e 1,22% em White Bali, com resultados conformes em todos os parâmetros de segurança.
Como se conserva corretamente o kratom?
Em embalagem hermética, protegida da umidade, luz direta e calor. O kratom em pó é suscetível à absorção de umidade ambiental, que pode alterar sua textura e favorecer o desenvolvimento microbiano. A exposição à luz UV e as temperaturas elevadas aceleram a degradação dos alcaloides.
Qual é a diferença entre pó padrão e extratos de kratom?
O pó padrão contém a concentração natural de alcaloides — tipicamente entre 1% e 2% de mitraginina. Os extratos concentram esses alcaloides por meio de extração com solvente e reaplicação sobre base vegetal. Os extratos do catálogo da Edabea são expressos em porcentagem de mitraginina (5% = 50 mg/g) ou em escala X relativa. Para mais detalhes, consulte a categoria de extratos de kratom.
Artigo elaborado pela equipe especializada da Edabea Natura, com mais de 15 anos de experiência em seleção e comercialização de materiais etnobotânicos. Última atualização: abril de 2026.
Referências bibliográficas
- Matsumoto, K. et al. (2004). Life Sciences, 74(17), 2143â2155.
- Shellard, E.J. et al. (1978). Planta Medica, 34(3), 253â263.
- Veltri, C. & Grundmann, O. (2019). Substance Abuse and Rehabilitation, 10, 23â35.
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